“Rei Lear”, de Jean-Luc Godard (Post 1/7)

Ação! 
 

(Trecho do filme)

Postar ou não postar

Pela complexidade do diretor, achei que postaria apenas um breve texto sobre este filme, que não queria deixar de postar. Mas, acabei me envolvendo e fiz sete anotações. Então, serão sete postagens. Esta é a primeira delas.

Quebra-cabeças

Na introdução – trecho em vídeo, as vozes diferentes umas das outras gera um pouco de dificuldade para compreender, principalmente por estar em voz-off – voz sobre imagem que não seja da pessoa que fala.
Na primeira sequência, Godard dá um depoimento a um jornalista, parece ser por telefone, pelo tipo de encerramento que o jornalista faz no final. Jean-Luc defende os interesses da Produtora Cannon e fala de seus objetivos com relação ao filme. Percebemos pela “movimentação” que as cenas representam Godard em um set de gravação, e quando este dá o comando “Action!” indica que a câmera pode iniciar (ou reiniciar) a gravação.
Estas cenas se passam no primeiro minuto do filme. E o que mostram de imagem durante quase o tempo todo destas falas é um fundo escuro, e o que lemos sobre o preto não sãos créditos habituais. Depois do nome da produtora, vêm nomes que serão dados aos intertítulos. No final dessa introdução, a palavra “Action!”, que ouvimos de Godard para sua equipe, irrompe ou vaza dentro da imagem seguinte de Mailer (Norman Mailer, representando o próprio) que está sentado, terminando de escrever um roteiro de filme.

Por este tom, a narrativa, desde o início, indica que não iremos ver um filme “comum”, na linha de ação das adaptações de Rei Lear de Shakespeare, que já vimos no cinema e também no teatro. Jean-Luc Godard parece que tem (teve) a intenção de deixar algumas pessoas confusas (furiosas?). O filme é um quebra-cabeças.



(Post 1/7 do filme “Rei Lear”, diretor Jean-Luc Godard, 1987, EUA; roteiro Jean-Luc Godard, Norman Mailer, Herschel F. Rubin). 

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