Instigante.
Kurai Kurai quem diz… é um arbusto seco, circular, que, solto de sua árvore, rola ao chão de acordo com o vento, pra lá e pra cá. Ainda que para as crianças não passe de um brinquedo, a ênfase dada a esse objeto indica que sua função no enredo vai além da paisagem árida.
A história, inicialmente, desloca-se do urbano para desenrolar-se em uma região devastada da Ásia Central, com poucas moradias, agrupamentos tipo iglus, onde os transportes usados para deslocamentos são, entre outros, camelos e uma antiga e precária moto.
O personagem principal (ator Tynar Abdrazaeva) começa rompendo um ciclo e muda o rumo de seus interesses. Há um retorno ao passado que está amplamente modificado. O tempo todo, o fluxo dos ares que circunda aquele homem através de Kurai Kurai remete às mudanças inevitáveis.
Suscitam-me perguntas: O quanto estaríamos dispostos seguir o “caminho do vento”? Como encaramos as mudanças em nossas vidas? O quanto queremos mudar? O que precisamos mudar?
Ao trazer a lição do filme para próximo, destaco uma cena que diz respeito à falta de água provocada pela seca naquele local. No extremo, há 417 dias que não chove ali. Uma menininha que acompanha o tio, motorista do caminhão-tanque que distribui água na região, pergunta a ele porque não tem água. A resposta mentirosa que ele inventa não convence a garota, que sai de cena e o deixa sem ação.
O que temos a dizer às crianças quanto aos transtornos causados, não pela natureza, mas, pela ação do homem?
Ana Muniz
[Post 1 do filme Kurai Kurai – Histórias com o vento (original “Kurai Kurai – Verhalen me de wind”), 2014, Holanda. Direção Marjoleine Boonstra].
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