“Para sempre Alice”, de Richard Glatzer & Wash Westmoreland (Post 1/1)

Introdução

As informações que obtemos anteriormente ao filme, pela sinopse, e que nos leva a assistir é meio caminho andado para que tal aconteça. Assim, ao acomodarmos como espectadores, de antemão estamos preparados para um percurso em certo universo. Facilidades ou complicações vêm pela forma narrativa. A introdução trata de nos colocar de vez “dentro do filme” trazendo dados para que este se desdobre. Lembro que pode não ser bem assim. No filme em questão é.

No início…

O convívio familiar é colocado à mesa literalmente a partir da primeira cena, cujo motivo é a comemoração do aniversário de Alice. Ela faz 50 anos e é importante que saibamos isso, pois, a perda de memória ocorre precocemente com ela a partir desta idade. Estão ali os parentes mais próximos: o marido John, a filha Anna e marido Charlie, o filho Tom, e Lydia é citada pela ausência. Após a apresentação dos personagens cujos fios se entrelaçarão no decorrer do enredo, Alice (Julianne Moore), professora universitária e pesquisadora na área de Linguistica, está em uma sala universitária cheia de acadêmicos e dá uma palestra sobre seu atual projeto. O primeiro “branco” surge ao revelar o que quer mostrar com sua proposta. Nesse momento crucial sente um afastamento das palavras. Mas, tangencia e consegue concluir.

Tal qual um avião que, tecnicamente viável, com os passageiros a bordo, o piloto, o comandante, voasse para o alto rumo ao seu destino, decolasse… a viagem começou.

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O movimento do carro que leva Alice no banco de trás está na fluência do desenrolar da história. Os acontecimentos vão em frente, evoluem, Alice, profissional das línguas, agora tem que fazer palavras cruzadas, brincar com as palavras para que elas não lhe escapem.

Perda

Não são os grandes planos ou cortes contundentes que exprimem o sabor das emoções. É a história de vida que se apresenta e que pode estar acontecendo ou ter ocorrido em qualquer lugar. Todos nós estamos sujeitos a perder. Poderia até dizer que, a cada dia, podemos ganhar muito, mas, na soma algo se perde. Perder por quê? pode estar no alto de nossas impossibilidades cognitivas. Por que perdemos? O filme não vai contar isso, mas, na relação daquela família é possível observar o comportamento do ser humano em cada um diante do indesejado e às vezes inevitável mal de Alzheimer que acometeu a mãe. Primeiramente questionei o comportamento de John, e ao refletir um pouco mais, vi que ele também perdeu. Todos perderam. Mas, há sutilizas nas individualidades, assim como surpresa em relação à filha mais nova Lydia (Kristen Stewart), no papel de atriz principiante, que trata de juntar o que gosta com a diligência pela mãe, já em estado avançado da doença.alice frame 3a

Amor

Mesmo com o cérebro comprometido pela doença, a sensibilidade de Alice salta à pele e vê em Lydia o que não vai mais conseguir compreender. Tudo se afasta dela menos o amor que paira nas palavras e na presença da filha. alice frame 2a

A temática

O que o filme aborda se distingue pela proximidade com o documental. É narrado de forma linear, com algumas projeções de passado (flashbacks); é a vida que transcorre com as elipses da ficção.

(Post 1/1 do filme Para sempre Alice, original “Still Alice“, USA, 2014, Direção e Roteiro de Richard Glatzer & Wash Westmoreland; adaptação da Novela de Lisa Genova).

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