
BACURAU
Depois de ouvir comentários rápidos sobre Bacurau que é muito bom, atual e etc. e tal, pus ele numa lista para ver. Assisti e coloquei minhas observações de molho por algumas horas. Fiquei pensando e decidi não escrever nada. Depois rasguei o que escrevi. Quis pular este filme, mudar de tema.
A seguir me lembrei das imagens do início deste filme, a terra, o satélite e Gal Costa cantando “… eu vou fazer uma canção pra ela…”. Fiquei pensando, seria este filme uma “declaração de amor” de forma latente? Ou o “objeto não-identificado” lançado no espaço poderia ter outra pretensão?
A história é uma premonição sobre o futuro de uma população. Inspirada em fatos reais? Provavelmente sim, pois, quem pensa o futuro, se não é vidente, é quem sabe do passado e do presente. É uma previsão negativa. Ainda há uma suposição que podemos não entender o recado dado pelo filme, mas que devemos esperar o futuro chegar para ver que tudo acontecerá. Não é isso que diz a letra daquela outra música? “Você que não entendeu, não perde por esperar”.
Bem, aquele tipo de político é indesejável. Um modelo que não combina mais com estes tempos, em que tudo está à vista. Ninguém engana ninguém. Por muito tempo, pelo menos. Penso que chegará a hora que ninguém mais aceitará um fulano daqueles. Mas, coitadinho do burro, não merecia. Os eleitores, nós, também temos que mudar nossas predileções, nossas intenções, e não achar que se está bom para mim, o resto que se dane.
O que é bem e o que é o mal no filme? O que está mais à esquerda ou mais à direita? Claro que conhecemos a polêmica das dicotomias partidárias. Não quero ser niilista, mas fujo de questões que têm um começo em um passado muito distante e que aponta para um futuro incerto.
Ao pensar uma época em que apenas um bandido vence outro bandido, e que o povo só encontra uma saída nas mãos de um deles, é colocar de fato a justiça de lado. Não entrarei no mérito. E qual seria a questão maior?
Bora pra distração. Algumas cenas me lembram um jogo de luta. Eu nunca joguei videogame. Mas acho fascinante. Quando observo algumas telas que a moçada joga, vejo as minúcias e a inteligência por trás daqueles comandos.
No filme Bacurau, aqueles fones de ouvido sem fio permitindo a comunicação com o “além”; o drone que traz o distante para diante dos olhos, e… a matança sem piedade, a matança comemorada, a matança ensandecida encontra paridade com o entusiasmo da vitória análoga a um jogo de videogame.
É um filme excelente tecnicamente. Eu não vi outros filmes do diretor. Mas, eu quero ver o próximo. Por quê? Pelas influências que percebo neste filme. São muito boas. E o próximo poderá ter uma evolução deste que está ótimo com relação às expressões narrativas.
Ana Muniz
Você que leu até aqui, agradeço muito e peço que conte nos comentários o que você achou do filme. Você viu?
Foto lua/olho da noite: Ana Muniz.
Bacurau. Ficção. 1h 30min. 2019. Brasil/França. Direção e Roteiro Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Atuam: Bárbara Colen, Thomas Aquino, Silvero Pereira, Udo Kier, Sônia Braga, Lia de Itamaracá, entre outros.
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