A Esposa

basta
Caráter

Todo mundo tem o direito de permanecer ou sair de um relacionamento. Como em estudo de História, só podemos analisar depois que o evento passou. Portanto, caso passado pode ser pensado e cada um tem a sua individualidade. Neste filme, o caráter do homem Joe é colocado no campo da dúvida.

Permissão

Para acontecer o segundo casamento de Joe, há duas permissões, a primeira, dele, que facilita e permite que a sua aluna Joan entre na sua vida. A segunda permissão é de Joan que aceita a condição de participar daquela família.

Promiscuidade

Joe é um sujeito promíscuo, mas, pelo jeito, esta característica só fica evidente depois dos casamentos. Tanto do primeiro, quanto do segundo. É algo que a esposa vai encarar – ou não.

Oferecimento

A esposa se oferece para o papel que o marido não consegue desenvolver. Invertem os papéis. Nisso, ela faz o que gosta, e ele, como não consegue o que quer, faz o que não escolheu – isto é, o papel da mulher na casa.

Pagou língua

Mas, antes de aceitar o papel na casa, ele menosprezou esta função quando se viu incapaz de escrever uma história consistente, dizendo para ela: “Você vai ser um sucesso literário, enquanto eu fico em casa corrigindo provas e limpando panelas”.

Troca

Mesmo fazendo o que gosta a mulher não é reconhecida, pois, quem leva a fama é o marido. Ela não se esconde, ela é escondida por trás das palavras.

Gênero

Ela não disputa, ao contrário, ela tem um pensamento negativo sobre o que recai sobre a mulher, portanto, sobre si, e leva adiante, alimentada pelos comportamentos da época. Ele não faz nada para mudar isso e se aproveita da situação. Para a sociedade masculina daqueles tempos a participação do feminino na literatura não era aceita com bons olhos. Os olhares masculinos eram ferozes, só viam a mulher como um objeto, se era bonito ou feio.

Ela x Jornalista

Quando aparece alguém à nossa frente e nossa imagem reflete como em um espelho nas palavras do outro, qual é a nossa reação?
Embora negue que aquela não sou eu, a minha consciência deve saber que estou ali. Por que, então, eu fujo? Autoproteção? Fugir deve ser o que estou acostumada a fazer, e assim, continuo fazendo e me afasto de minha imagem, de olhar para mim.

“Por que, meu Deus?”

Esta frase do filme vem do exterior. Mas, se olharmos detidamente, é algo que vem do fundo da alma de Joan. Por que tudo isso aconteceu comigo? Por quê? É um momento de reflexão da personagem, enquanto ela caminha depois de uma sessão de terapia com o terapeuta, ou melhor, com o jornalista. Confundi tudo, depois de um encontro casual com o jornalista.

Aceitação

Aceitar as condições pode não ser tão fácil, mas tolerável. Mudar também é difícil. Mas, o destino interfere para – talvez – ser o justiceiro e que possam planejar outros voos para casa. A casa como metáfora, sendo o refúgio principal de si mesmo.

Ana Muniz

A Esposa (original The Wife), Drama, 1h 39min, 2017. Direção Björn Runge. Adaptação do romance “The Wife” de Meg Wolitzer. Roteirista Jane Anderson. Atuam: Glenn Close, Jonathan Pryce e outros.

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