“Rei Lear “, de Jean-Luc Godard (Post 5/7)

Cavalo

 

Paixão pela imagem

Jean-Luc fala e repete sobre a importância de uma imagem associada à emoção que ela provoca: “Se a emoção é grande, a imagem é do mesmo tamanho”.
Palavras e imagens; ouvir e ver. Questões de Godard. Na-da de Shakespeare.
Em meio a muitas referências, a outros cineastas, a pintores, época… Jean-Luc extravasa sua paixão pela imagem, sob o texto “Usemos palavras amáveis, para acompanhar a alvorada da primeira imagem”. Enquanto o texto é falado, a imagem do cavalo, branquíssimo, galopa de um lado para o outro na tela, e por um único instante, suas quatro patas ficam no ar… Essa imagem nos faz lembrar do experimento feito pelo fotógrafo inglês Muybridge, que em 1872, fotografou com 24 câmeras o galope de um cavalo, posicionando-as sequencialmente ao trajeto do cavalo. Foi pioneiro em mostrar que “juntando” 24 quadros de uma imagem estática, no caso fotografias tiradas do cavalo galopando, dá-se a ilusão do movimento. Em um dos 24 quadros do galope do cavalo, uma das câmeras registrou as quatro patas fora do chão.
A barriga prenhe de imagens e sons que iriam contar um monte de histórias, algum tempo depois nas salas de cinema, estava tendo as suas primeiras contrações… Sob as patas de um cavalo.

(Frame  e Post 5/7 do filme Rei Lear, diretor Jean-Luc Godard, 1987, EUA; roteiro Jean-Luc Godard, Norman Mailer, Herschel F. Rubin).

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