
Neste mês de março ganhei o DVD do filme Interestelar. Não o conhecia, mas ao ler o nome de Christopher Nolan, na capa, fiquei mais agradecida e interessada. Trata-se do mesmo diretor de AMNÉSIA (2001), um filme muito instigante, que já comentei neste blog, em sua primeira fase, em CINCO postagens; eis os links: 1 – 2 – 3 – 4 – 5.
Não só dirigido, também escrito por Nolan, os dois filmes têm em comum a forma narrativa, cujo enredo se reúne em um emaranhado de situações complexas. Isso reafirma nosso envolvimento com as histórias contadas em nosso tempo: Em relação às narrativas históricas, nós, hoje, apenas reescrevemos, reinventamos, fazemos releituras, enquanto exploramos modos diversos de contar um conto e até o mesmo, seguindo ou não a ordem de começar e seguir até o final, ou começar pelo meio, pelo fim…
Assim, ah, sim… Se pedissem para eu traduzir o filme Interestelar em uma imagem, eu diria: Ouroboros – o dragão ou serpente que engole a própria cauda, formando um círculo. Acrescento que esta figura não aparece no filme…

Praticamente, a história segue o percurso dado em uma frase do roteiro, que é um conselho de pai para filha: “Não diga só que tem medo de fantasmas, vá mais fundo. Registre os fatos, analise, determine o como e o porquê e então apresente suas conclusões. Combinado?” É semelhante ao fazer um estudo de pós-graduação e até mesmo um TCC, trabalho de conclusão de curso. É um gesto investigativo, em que se chega a algum lugar, mesmo que este levante mais questões, o que é mais provável que ocorra.

No filme, estariam aqueles que levam as ações adiante, de investigação sobre a existência de outros planetas habitáveis, para que não sucumba o ser humano, presos a cordões umbilicais ao deixar o solo terrestre em busca de novas possibilidades de vida? E assim, sua existência em contato com outros mundos, passaria por estágios entre as estrelas em que se revelaria que a terra e estes outros sistemas estariam ligados (ou momentaneamente desconectados?) pelo tempo que no espaço sideral seria infinito?
Se a figura de um ouroboros representa a eternidade, gerando um movimento contínuo, poderia estar também relacionado à auto-destruição e a auto-regeneração ou preservação? Um ser que se apropria dele próprio na ingestão, poderia gerar outro ser que advém dessa gestação simbólica?
NASA, me perdoe… Mas, foi lindo viajar!!
Ana Muniz
Imagens: Frames do filme.
INTERESTELAR (Original “Interstelar”). Ficção. 2014. EUA, UK, Canadá, Islândia. 2h 49min. Diretor Christopher Nolan. Roteiro Jonathan Nolan e Christopher Nolan. Atuam: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Michael Cane e outros.
Para mim esse filme não acaba. Posso ver e rever e ver e rever e ver, sempre encontro um novo significado, uma nova imagem, uma nova pergunta. Adorei a referência ao ouroboros. Suas postagens sempre arrasam!!
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Obrigada, Claudia Ricci. Deus comentários são muito bem-vindos! Que bom que gostou…
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