Enquanto acontece a mostra de cinema de 2017, em São Paulo, acabo de ver um de seus filmes do evento passado. Contrariando o ciclo? Não; sem lógica. O próprio circuito, além de apresentar novidades, anualmente, prestigia desde o cinema mudo ao cinema novo e mais, e até ao que denominam de novíssimo…
Além disso, escolho falar ou não do filme depois de assistir, a não ser que tenha outra sugestão… Este caiu na minha mão, indicado por um amigo, que tem uma sala especial de cinema em casa. Às vezes ele indica, tipo “veja esse”, e eu vejo ou não e escrevo ou não.
Nem sempre uma imagem reflete a grandeza implícita em um filme. Um melodrama passa longe do cartaz em que a mulher nativa se agarra ao seu preferido. Mais que contar sobre o relacionamento dos dois, o filme relata o ambiente na aldeia, os costumes, os ritos, e enfoca o feminino: a mulher quando menina; quando se torna “mulher”; e remete a sentimentos profundos do ser humano que crescem consigo.
Deixa claro, ainda no início, que é comum escolhermos o caminho proibido. Por onde não posso passar, é por aqui? Então, é por aqui que eu vou.
Quando inocente há o desejo pelo desconhecido… (Mais tarde o medo do estranho?)
É a menina Selin, irmã de Wawa, que nos dá informações sobre a vida da mulher em formação naquele povoado. Ainda garotinha, manifesta coragem, desejo de colaborar e agir, e desde logo nos faz ver que temos vontade própria…
O filme não disserta sobre o amor do casal indígena, mas aponta o caminho para que uniões aconteçam dentro de uma tribo, ao romper com uma regra dos aldeões, contrariando costumes. A flexibilidade diante da rigidez tribal torna indispensável para a existência e permanência dos membros na família. Ou poderia acontecer outras ocorrências shakespearianas…
Assim, segundo a narrativa, os costumes mantêm a integridade de um povo e, portanto, se algo é rompido é também no sentido de preservação.
A história se desenvolve dentro de um clima nem sempre perverso, pois, a criança traz uma leveza própria da natureza da ilha.
Os habitantes de Yakel foram escalados para trabalhar os personagens nesta produção cinematográfica. No seu ambiente. Isso trouxe mais verdade? Talvez sim. Talvez não. No caso específico, os não atores, poderia dizer, trabalharam bem.
Na realidade, a ilha de Tanna, existe no Pacífico e faz parte do arquipélago Vanuatu. Tanna teria em 2015, 30 mil habitantes. Mas, o ciclone “Pam”, com ventos de 320/340 km/h, devastou o local nessa época e morreram 5 mil deles, segundo matérias do UOL.
O roteiro do filme faz uma referência ao citar o príncipe Philip e a rainha Elizabeth… A foto apresentada na ficção seria uma prova da visita do indígena à realeza? No filme, o personagem, ao trazer o nome dos ingleses para a cena, quer ratificar a validade dos casamentos arranjados; afirma que entre aquele casal há amor… 
Outro enfoque, dado pela reportagem, afirma a existência de um movimento na ilha que endeusa o príncipe Philip desde a década de 1960, tendo fortalecido quando a alteza visitou o arquipélago, mas ele nunca fora à ilha Tanna… Mesmo assim, o filme não deixou fora esta relação de pobres e ricos…
Do ponto de vista dos dias atuais, é intrigante observar esse culto à riqueza, como se aqueles estivessem carentes de tudo (material e espiritualmente). Será? Tudo?
Voltando apenas ao filme…
Ana Muniz
Obrigada por comentar!