
Dois filmes de curtas metragens que assisti num recente festival falam do comportamento humano em relação a filhos ainda crianças. Ambos mostram a fragilidade infantil perante aos adultos. Por exemplo, no curta americano PELE, o menino convive com os pais que praticam tiro ao alvo e têm armas de fogo em casa. Em um dado momento, o inocente usa a arma sem consentimento e em desobediência à mãe que pede pra ele ficar em um certo lugar e quieto, perante a situação conflituosa que se passava. Mas, a criança, pensando que poderia defender a mãe, usa a arma e o resultado é fatal.
A história do filme O PRESENTE DE NATAL, romeno, aborda questões de conversa entre os pais, em relação àquilo que o filho pequeno escutou desta conversa. A criança ouve a fala dos adultos e faz uso literal da informação, provocando uma ameaça para o pai, que tem que correr atrás daquilo que não deve ser dito. O menino na sua idade não faz ainda discernimento entre o que é ou não é. Embora este assunto pareça trivial, a reiteração deste tipo de abordagem é sempre útil.
Neste segundo filme, a palavra torna uma arma invisível quando cai na cabecinha do pequeno, pois ele ainda não compreende o verdadeiro sentido dos termos, ele está ainda crescendo, se formando.
Os dois filmes não têm ligação entre si, mas se relacionam pelo que aborda da temática infantil, dado o sentido letal das duas armas, uma visível, outra não.
Isso me instiga a pensar: Estamos aptos para educar os filhos? O quanto nos esforçamos para isso?
Ana Muniz
Filmes do 30. Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo (2019):
PELE (original Skin), direção Guy Nattiv, Estados Unidos, 20min
O PRESENTE DE NATAL (original Cadoul de Craciun), direção Bogdan Muresanu, Romênia, 20 min
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