A Bruta Flor do Querer, de Dida Andrade e Andradina Azevedo

É um filme para ver de uma “chapada” só. Expressão que uso em decorrência da história, que em quase toda o protagonista está “chapado” ou drogado ou drogando-se, só ou com outro personagem. Neurótico? Diga-me algo psicólogos…

Um jovem que após fazer alguns curtas, experimenta o desamor, aparentemente, pela vida, pela carreira, pelas pessoas, e sua vida torna-se contraproducente.

Um filme brasileiro que avisa no final que o filme foi realizado sem leis de incentivo e sem patrocínio. É um grande exemplo para a nossa parca economia entre outros interesses que deixo de mencionar… por ser um assunto cheio de estrepes.

O que a história deste filme me conta de relevante? Sim, porque quando vejo um filme eu busco o que me envolve e me faz seguir até o final. Este me envolveu. Era um filme que eu tinha entre outros para ver e dedico um pouco de tempo desta tarde ensolarada para dizer impressões sobre o que vi.

O filme vai sendo escrito enquanto se mostra. Gostei do modo experimentalismo, da naturalidade apresentada logo aos primeiros minutos (o que me prendeu). O personagem, um câmera-man, não tendo oportunidades para crescer profissionalmente (coisas comuns do meio), se vê obrigado a filmar casamentos, para sobreviver. Para compensar a frustação, provavelmente, se entrega às drogas…

Mais feliz que este câmera brasileiro é roteirista hollywoodiano Keite Michaels (ator Hugh Grant), do filme “Virando a Página”, de Marc Lawrence. Temos que fazer arte porque é algo que queremos e o que sabemos fazer. O filme A Bruta Flor do Querer é um exemplo, penso. Feito a muque. Honrado.

O amor platônico é muito bem representado dentro da história, a dificuldade de expressar o desejo, passando a ideia de um psicopata, desajeitado, mas, talvez se tivesse explorado um pouco mais… Enfim, o homem/personagem se esconde através das drogas…

Quanto às cenas explícitas sexuais, de início achei que não precisava. Desculpe, espera… Há tantos filmes sutis… O brasileiro… Mas, creio que seja o ritmo do Brasil. “É o meu Brasil Brasileiro / Terra de samba e pandeiro…”

Por enquanto é isso. Gostei, viu?

Ana Muniz

A Bruta Flor do Querer (2016). 1h 16min, drama. Direção e roteiro: Dida Andrade e Andradina Azevedo. Atuam: Thais Almeida Prado, Dida Andrade, Clara Andrezzo e outros.

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