ROMA, de Alfonso Cuarón

Um pouco de AMOR.

Para muitos letristas e poetas o amor tem múltiplas formas, e quando o assunto é entre um casal, quando ele acontece, não há como escapar de suas inspirações. Ele se manifesta em todas as ações da pessoa, se faz presente e quer presença. Nada vale sem amor, dizem outros, o amor supera tudo, ele vai além do que se espera. Para os descrentes, vem aquele que viveu e viu afirmar: O amor existe! Outros dizem, é um tiro certeiro que marca e dá sentido à vida.
Mas, ouço o poeta dizer que para viver o amor é preciso aceitar a dor. Talvez o risco da dor. Isso dá a entender que nada é para sempre. Mas o “para sempre”, já disseram, sempre acaba. E pode acabar no amor? Na dor? Ah! Quem está preocupado com o fim? Um espectador de ficção, talvez.
E ainda, aquele poeta afirmou: “O amor dura só um dia”. SQN. Isso não seria amor como dá para supor com as letras acima. Seria uma metáfora? Ou…

ROMA, o filme.frame filme

O fato é que a convivência que se supõe advir de uma união amorosa vai muito além do número dois. Tem família, cachorro, crianças, e tudo o mais. E o amor pode se fazer presente em cada detalhe.

Mas, se o cara é chato, materialista, claramente egoísta, que valoriza mais as coisas do que as pessoas, essa união corre sério risco de desabar. Antonio abandona a mulher com quatro crianças. Não volta mais, apenas quando a casa está vazia para levar as estantes (e deixar os livros). A vida da família transcorre se adaptando à ausência desse indivíduo.

Ao marido não é dado o protagonismo.* Ganha de longe uma mocinha trabalhadora, que cumpre suas obrigações com fidelidade e vai além com o carinho que dá às crianças.

O que se ganha para fazer aos outros tanta maldade? Um dos enfoques do filme é o abandono e praticamente o alega a um motivo fútil, algo como um cocô de cachorro. O mau-caratismo daqueles homens é evidente. O diálogo quase único que tem com a mulher é sobre banalidades. Do que se revela o que ressalta é a ausência de amor. Mas… Como entender? Essa questão não é do filme. Ou é?

Uma simples doméstica é capaz de dar aos filhos dos patrões o que eles não recebem por parte do pai ausente. O filme aponta que não é preciso ser merecedor de um mal, ele pode acontecer de repente, em um vacilo. É preciso estar atento (Mãe para empregada: Como você foi ingênua!), embora um descuido de atenção pode por tudo a perder (Mãe para empregada: Eu te pedi para limpar o cocô do cachorro!).
É também claro que alegações e pretextos ocorrem em situações que já tem algo premeditado, em andamento.

Como uma onda, aquele avião que corta o infinito traz e leva o enredo, e pode apontar para algo que transforma. O que está agora, pode não estar daqui a pouco. Mas, há um retorno. A vida talvez seja um leva e traz. Um vai e vem… Infinito, como diz Lulu Santos. É também como mostram as ondas que levam e trazem as crianças para a margem do mar.

Agora, em 2019, ver o filme ROMA (2018) pode levar alguns a momentos nostálgicos. A história se passa entre 1970 e 1971. Ele carrega na cor preto e branco o passado, como se o autor** detivesse o fio da meada que precisasse desvelar.
**Sim, autor porque escreveu, dirigiu, editou, fez câmera e talvez mais alguma coisa.

Em tempo: Esta publicação é feita neste momento de pausa do blog. As postagens de agora em diante continuarão ainda de forma irregular. Peço que continuem aqui. Um abraço.

Ana Muniz

ROMA. 2018. 135min, drama. Direção e roteiro de Alfonso Cuarón. Com Yalitza Aparicio, Marina de Tavira e outros.

*Mudei essa frase da primeira postagem, pois utilizei “menos mal” e não quero entrar nessa controvérsia entre adjetivos e provérbios e substantivos e etc e tal.

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