
Ove (Rolf Lassgård) é um homem que aos 59 anos de idade é jogado para fora da empresa que trabalha há 43 anos, porque não acompanhou as mudanças tecnológicas.
Viúvo, sozinho, o primeiro impulso é se mandar dali. Ele já tem um plano…
Conservador, preserva modos de vida baseados em regras de conduta, que aplica exigindo o cumprimento do regulamento interno do condomínio onde mora. Exagerado? Maníaco por organização? Obsessivo por limpeza? Seja o que for, é persistente.
Bitucas de cigarro no chão. Desobediência à sinalização. Estacionar em lugar proibido… Não pode. Não pode!
Mas, quando quer se afastar dali, ocorre sempre algo que o tira do seu silêncio, interrompe sua concentração e o leva ao mundo que o circunda e que solicita a sua presença e colaboração.
Antissocial, evasivo, mas, nada como alguém vindo de outra cultura para quebrar o gelo do europeu. Ove, homem bom, deixa-se levar ao acaso…
Retrógrado no modo de vida, ultrapassado para a empresa, velho para muitos, seu único desejo é querer partir. Quer ir ao encontro de sua única amada. Mas, o que somos nós diante do destino? Se o que ele escreveu nunca iremos ler… Apenas viver…
O pai de Ove assinalou para ele quando era menino: Todas as coisas ao redor estão conectadas… Porém, o que ele reteve foi uma parca experiência do mundo dos negócios. Até poderia ter ido além, mas, principalmente, o sistema capitalista imobiliário deu outro rumo à sua vida.
Somado à especulação imobiliária, diferente da que ocorre em Zabriskie Point (filme de Michelangelo Antonioni, 1970), que explora áreas virgens, outros subtemas permeiam a história, que a leva ao social, além da perda do emprego pela idade avançada: a do gay que sai do armário e é colocado para fora de casa; a dificuldade da professora cadeirante de se empregar… E, talvez propondo uma igualdade de gêneros, o diretor brinca com a imagem pintada no início do século XVI, por Michelangelo Buonarroti:

A história tem uma forte relação com o título da música que se escuta em dado momento, Sempre na minha mente (Always on my mind, Wayne Carson, 1972), na voz de Willy Nelson…
Próximo aos 20 minutos de filme, podemos pensar em uma referência ao filme Beleza Americana (American Beauty, Sam Mendes, 1999), que vai se repetir. Mas, toda esta narrativa me remete a uma inspiração maior e me leva ao filme Ensina-me a Viver (Harold and Maude, Hal Ashby, 1971), principalmente ao relacionar com a frustração de uma intenção… No entanto, é na competição pela marca de carro com o amigo Rune (Börje Lundberg) que deparei com o absurdo, que me trouxe lampejos da comicidade de Amélie Poulain (Le fabuleux destino d’Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet, 2001)…
Enfim, crio aqui um link para um CONTO de minha autoria, escrito no século XX, ao qual este filme também me levou. Ainda que o assunto vá por outro lado, trata-se de relações humanas… É a história de um homem que dialoga com um menino a partir da leitura de um livro:
O Velho e o Novo Fazendo História
Ana Muniz
Imagens: Frames do filme.
Um Homem Chamado Ove (En man som heter Over), 1h 56min, Comédia, Drama, Suécia. 2017. Direção e Roteiro Hannes Holm; Baseado no Romance de Fredrik Backman. Atuam: Rolf Lassgård, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, entre outros.
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