La La Land: Cantando Estações, de Damien Chazelle

Confesso: Os primeiros minutos me fizeram pensar que o filme se daria bem numa sessão de tevê à tarde, mas, para meu espanto, fui me envolvendo pelo perfil dos dois atores principais…

3lala-copiaDois jovens, ele músico tecladista de jazz; ela, barista, aspirante a atriz. Os dois perseguem um sonho. Como ele já trabalha na profissão, não pensa em desistir, ela, às vezes sim, mas…

“Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente” (Cássia Eller)

4lala-copiaMesmo que as estações de La La Land não digam respeito à inesquecível cena de mudança de estações do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulan (“Le fabuleux destin d’Amélie Poulain”, Jean-Pierre Jeunet, 2001), não me sai da cabeça que o diretor Damien Chazelle tem muita simpatia por este filme, ainda que as “estações” do primeiro remetem ao tempo fictício e ao tempo interno dos personagens, e a poesia acontece no decorrer de cada “clima”; enquanto a poesia do segundo está na própria mudança de uma estação para outra. Claro que esta observação se dá também por uma visão poética.

O filme é indicado ao Oscar (2017) e isso que me despertou curiosidade…
1lala-copiaMusical, drama e comédia, como o classificaram, é uma metalinguagem, como sabe, temática muito utilizada por cineastas. O “cinema” adora falar dele mesmo. É uma autopromoção e também desnuda um pouco o extraordinário das estrelas ao mostrar os bastidores. Grandes cineastas perpetuaram sua fama ao recorrer aos interiores dos sets, mesmo que este seja externo, um exemplo marcante, o filme A noite Americana (La nuit américaine, François Truffaut, 1973).

Damien Chazelle, roteirista de Rua Cloverfield, 10 (2016), escreveu e dirigiu La La Land: Cantando Estações, que a princípio segue regras hollywoodianas de contar histórias, mas, ainda que em raros momentos, ao utilizar-se do modo de voltar ao passado, dialoga com filmes europeus. Por exemplo, ao descrever ações, omitidas antes, mas que fazem ligação com certo presente. Refiro-me à cena de Mia (Emma Stone) quando está no bar e vê Sebastian (Ryan Gosling) tocando pela primeira vez: O narrador faz questão de nos dizer que o homem saiu daquele trânsito, passou por algumas situações e agora está ali, tocando, enquanto nós já estamos acompanhando a trajetória da mulher. São momentos em que os personagens estão sendo apresentados aos espectadores. O diretor e roteirista não nos conta o percurso de cada um no modo tradicional, através do paralelismo, isto é, quando as ações de um e outro acontecem alternadamente. Ele utiliza-se do flashback para referir-se a eventos transcorridos paralelamente a outros que vimos, mas que foram omitidos e que “só” agora nos conta. Assim, quando volta para Mia que observa Sebastian ao piano, percebemos a ligação daquele passado com tal momento.

Mas, o que o filme nos traz de grandioso? Obviamente, cada um terá suas observações e suas dúvidas.

O pessoal fictício de Televisão em La La Land criticam a casa de reproduções cinematográficas, o cinema. Para eles, as salas são sujas, às vezes quente ou frias demais, há pessoas falando, digitanto no celular… Pelo jeito não é só no Brasil que isso acontece. É uma tendência…

E o jazz? Sebastian é um “jazz musician”… O que custa se corromper para agradar um patrão e seu público? O que custa enfrentar uma situação para ter um emprego ou contrato de trabalho? Isso me leva ao meu objetivo? Estas minhas perguntas decorrem do que observo a respeito do imbróglio em que se encontra a carreira de Sebastian…

O que o roteirista preparou para os dois principais? Final feliz ou não? Não vou dizer, mas o modo que aquilo que poderia ter sido e não foi passa pela cabeça de Sebastian é muito interessante e nos dá um alerta:

Não deixemos oportunidades escaparem. Ou, o calor de uma situação tensa pode transformar a vida de tal forma, criando um obstáculo à felicidade desejada.

Portanto… Se não o viu, veja. É bom. Divertido. Criativo. Emocionante.

Ana Muniz

Imagens: Frames do filme.

La La Land: Cantando Estações (original La La Land, 2016), USA, 2016, Drama, 1h 58min Direção e Roteiro: Damien Chazelle. Atuam: Emma Stone, Ryan Gosling e outros.

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