O filme é baseado essencialmente no diálogo e as ações transcorrem simulando um arranjo espontâneo, direcionadas à percepção de imagens sensoriais. Uma vez que o cinema é significação, os diversos tipos vêm através da representação.
Kiarostami já abordou a mesma temática em outro filme: Dez, de 2003. Se para o autor a imagem contém a informação que ela quer transmitir, o conjunto filmado deve seguir essa mesma intenção.
Tal qual um Roteiro de Cinema, que deve abranger todos os dados para o trabalho do diretor, produtor e outros envolvidos, sem nenhum anexo com indicações, os filmes não contêm manuais explicativos, isto é, um certo relato está contido nas tomadas e montagem – Ainda que passível de discussão e estudo. Senão, ao comprar o ingresso para o filme, viriam prescrições indicando Para entender melhor a história… Mesmo que isso venha de forma subentendida, o filme deve se fazer entender por sua linguagem. É dependente apenas do potencial de cada um para atribuir a ele algum sentido. Daí, sabemos que existe quem vê o filme superficial e primariamente; outros o observam e reconhecem um pouco mais das cenas; e aqueles que o desdobram e vão buscar “algo mais”, além do aparente. Transito entre estas três características. Essa tríade está nele.
Cópia fiel é, sobretudo, um ensaio a respeito dos diversos aspectos que se confere a uma imagem construída. Não é por acaso que a primeira delas é estática, desviada do movimento dado ao cinema. Ela chama a atenção para si e quer nos dizer algo. O clima de espera sugere que alguma coisa vai acontecer ali. Pela organização da mesa, com um livro, microfone, uma garrafa de água, papéis, percebemos que alguém vai falar. Apenas escutamos o burburinho de pessoas.
James Miller (William Shimell) lança um livro para um pequeno público de aproximadamente 30 pessoas. Entre elas, Elle (Juliette Binoche), dona de um comércio de obras de arte, que protagoniza juntamente com o personagem no papel de escritor. A história se passa em Toscana, Itália.
O irianiano tem como principais personagens uma imigrante francesa, que ali mora há 5 anos e um inglês que revisita a região, após 5 anos. Os dois vão se encontrar e passar um dia de domingo confrontando pontos de vista e …
O primeiro palpite.
A conversa entre Elle e filho (Adrian Moore) inclui impressões sobre o comportamento dela, e o garoto faz um julgamento precipitado, acreditando em “imagens” preconcebidas. Revela também o seu estado de ânimo, alguma coisa a incomoda.
É a única vez que ela quer fumar, o maço está vazio na bolsa, mas, ela já tinha visto um homem encostado, fumando, vai até ele, pede um e acende. O corte nesse instante, dá um ponto final naquele momento. Isso é parte do que nos prepara para o que virá.
Ana Muniz
Foto 1, 2 e 3: Frames do filme.
[Post 2/3 do filme Cópia fiel (original “Copie conforme“), diretor Abbas Kiarostami, 2010, França/Itália/Bélgica/Irã; roteiro Abbas Kiarostami e Caroline Eliacheff (colaboradora)]


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