Em vários momentos no filme o espectador pode deparar com cenas muito comuns do cotidiano. É envolvente pela verossimilhança e pelo rumo que as coisas tomam.
Uma empregada doméstica, Val (Regina Casé) na relação com a família que a emprega e também com sua filha Jéssica (Camila Márdila) que chega depois de muitos anos sem se verem, é levada para ao primeiro plano de um filme que mais instiga e questiona do que responde, além de ressaltar o progresso como resultado de grandes esforços. É uma história de atitudes, sendo pelas práticas comuns e enraizadas que vêm de séculos e àquilo que apenas o tempo, pleno de espinhosas experiências, determinou para que as pessoas envolvidas pudessem ser atingidas por sentimentos que provocariam mudanças, quebra de padrões; o que ocorre no enredo “de baixo para cima”.
“Adivinha onde é que eu tô?” Claro que este não seria o nome do filme, mas eu pensei nisso… A cena que tem essa fala é dez! Queria o roteiro para mim… (Para não dizer “invejei“, porque não tenho nenhuma simpatia por esta palavra). Eu já havia gostado muito de “Durval discos” da mesma roteirista e diretora, Anna Muylaert… Enfim, essa cena na última parte do filme é aquilo que marca uma virada de comportamento…
O filme “Que horas ela volta?” me lembrou muito outro chamado “Assédio” (Original “Basieged”, 1998), de Bernardo Bertolucci, cuja protagonista é uma enfermeira que foge da África e vai trabalhar de doméstica na Itália para pagar a própria faculdade.
Assim, para mim, os dois filmes se relacionam levando em conta a frase dita no primeiro: “o branco no preto e o preto no branco”, sendo uma referência ao encontro do negro africano e o branco europeu e suas relações…
Podia continuar pensando, mas não. Vou deixar estas minhas impressões e em aberto este e os outros filmes aqui postados para quem queira se manifestar.
Ana Muniz
Post único. “Que horas ela volta?”, roteiro e direção Anna Muylaert. 2015. 112 min. Drama. Brasil. Elenco: Regina Casé, Michel Joelsas, Camila Mardila, Karine Teles, Lourenço Mutarelli, Helena Albergaria, entre outros.
Excelente e instigante o comentário sobre o filme. Estou “pensando no filme” e vou assistir! 👏🏻👏🏻😊😊
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Ótimo, minha querida Giselle! Depois me conta. Beijos.
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Um comentário de um leigo das coisas técnicas do cinema. Gostei bastante do filme, ele fala a minha linguagem (sou nordestino e apesar de morar em SP cultivo meu sotaque) que de tão íntimo nem me pareceu “cinema” , sabe esse distanciamento artístico, não o tive, ao ponto de achar que se a diretora tivesse interrompido o filme na cena em que a Regina se apodera, entra na piscina, a metáfora da cena poderia me deixar “à ver créditos” (expressão que uso qdo o filme me encanta ou me causa um desconforto artístico uma inquietação que me “gruda” à cadeira da sala momentaneamente) mas é um bom filme. Tem até uma turma que o intitula de governista… E daí ?
Bom filme, boa direção, boa atuação…
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Roberto, obrigada por comentar. Fico emocionada por ter sua presença aqui. Quanto ao filme, é isso… É bom de ver…
Adoro as diferenças, povos, sotaques etc… O nordestino, em particular, sempre conviveu comigo e acho que me dou bem. Beijos.
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