Assim caminha…
Os trajetos em A Caminho da Escola são enfrentamentos de perigos, que até um professor agradece a Deus por terem chegado sãos, os alunos, enquanto os familiares na mais profunda fé pede que nada de mal aconteça aos filhos. Conforme o enunciado, é um caminho para guerreiros, cujo mérito é aprender e abrir possibilidades para a realização dos diversos sonhos. É um desafio proposto por uma vida de escassez, em alguns casos da substância mais preciosa, a água.
O roteiro traça aspectos a partir de uma breve apresentação familiar e saída de cada criança de suas moradias até a chegada à escola. Os lugares são longínquos, despovoados e o perigo está na característica do país em que se passa cada história: Quênia, Marrocos, Argentina e Índia. As quatro histórias concomitantes apontam para o mesmo ideal; o esforço empreendido levará à realização dos anseios de cada envolvido.
As crianças de até 13 anos de idade andam vários quilômetros sozinhas para se instruir e alcançar a promessa de uma vida além da que vivem com seus pais, os quais incentivam, esperançosos. Na conversa que Zahira tem c
om a avó o motivo está claro, o adulto diz: “Estude e aprenda para não ser como nós”. A avó nunca foi à escola, mas impulsiona: “Você compreenderá melhor a vida se for instruída”. Poderíamos ouvir tais frases em qualquer lugar de Minas Gerais, São Paulo, Bahia ou outro estado brasileiro…
São dois pares de crianças, e dois trios, sendo três meninas e outro de três meninos. Cada um à sua maneira, ligados pela persistência de
trilhar um longo trajeto, têm em comum a preocupação de não chegarem atrasados.
São horas de caminhada, os pés doem, a garotinha na garupa parece cochilar, o perigo é constante para o menino e a irmã quenianos, tendo que desviar de elefantes… Em compensação, as girafas parecem mais dóceis. Como é possível dois menininhos seguirem
um caminho de terra, irregular, empurrando o irmão um pouco maior e cadeirante por 4 quilômetros? O filme mostra que isso é fato. Estes últimos surgem apenas aos 29 minutos decorridos do filme e mesmo tendo o trajeto mais curto, a condição é muito mais delicada. Todavia, o clima entre todos é muito amigável, não há intrigas, há companheirismo, afeto.
Embora a situação seja resultado de governos que não criam programas eficazes, que resultem na melhoria da vida de diversas classes, ver tais crianças cumprindo uma etapa escolar em meio ao exercício de obrigações que possibilitem isso, passa um exemplo de crianças que brincam, estudam, trabalham, aprendem e são felizes, bem humorados e compartilham presencialmente a boa vontade.
Os quatro percursos se situam em países distantes entre si e não há compromisso de sincronia entre eles. Zahira, por exemplo, só vai à escola às segundas-feiras, o horário dela é diferente e o tempo de caminhar é muito maior, enquanto os demais vão todas as manhãs. O paralelismo criado no roteiro foca nos esforços que cada um tem que empregar para chegar lá…
Embora em parte haja cenas mais rápidas que intercalam momentos de tensão no caminho, sabe-se que em documentário você não precisa necessariamente de conflitos como em ficção. Naquele, há situações que acontecem e em tal tempo o particular vai se revelando até chegar a um certo horizonte…
Ana Muniz
Imagens: Quadros do filme.
A Caminho da Escola (original “Sur le chemin de l’école”), França, 2013, 77 min. Documentário. Direção Pascal Plisson. Roteiristas Marie-Claire Javoy e Pascal Plisson. Atuam: Jackson Saikong, Salome Saikong, Samuel J. Esther, Zahira Badi, Micaela Janez, e outros.
Algum site pra poder baixar o documentario?
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Allyane, até o momento não tenho informação de que esteja disponível online. Mas vale a pena continuar procurando…
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Excelente documentário, e pena que não consigo baixar dublado, seria uma experiencia única em sala de aula. Parabens
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Obrigada, Elton Santana. De fato é um excelente filme. Mas, parece que até agora nenhum canal disponibilizou dublado. Se eu souber algo te aviso. Um abraço.
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Excelente comentário, cara Ana Muniz. Assisti ao documentário na TV a cabo e achei muito bem feito. Seu comentário não deixou nada de fora. Parabéns!
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Ant Devanir Leite, obrigada por comentar e também por ler e por sua presença aqui. Venha sempre, sua participação é muito importante. Grande abraço.
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