Filme YOUTH, de Paolo Sorrentino

Quem pode passar férias naquele Hotel de alto luxo?… Incluso massagens, fisioterapeutas, médicos, yoga, natação, shows, dezenas de pessoas para servir, etc etc, em um espaço deslumbrante… O lugar é na Suiça.
O roteirista e diretor Paolo Sorrentino não se eximiu do deboche político acerca do socialismo em relação ao capitalismo ali escancarado.
TatooUm “Karl Marx” obeso, com pouca resistência física, e embora ainda tenha seus admiradores, caminha com dificuldade apoiando-se em uma bengala, às vezes necessitando da ajuda de pessoas para conseguir suas próximas respirações. Tudo indica que está nas últimas. De acordo com a ficção, a falta de fôlego é a única coisa que faz (fez?) tal personagem parar de dar seus “chutes”…  Mas, não é o homem Marx e também não é a tatuagem naquelas costas, é o significado, a ideologia, o que representa.

A figuração deste personagem é pontual, não é o principal, mas é o que destaco deste filme, sem adentrar aos diversos pontos da história:
Logo no início, “Marx” nos é apontado através do mensageiro da Rainha: “Está vendo “aquele“? É ele!” Mesmo que a câmera tenha mostrado em plano aberto, em primeiro plano está o personagem com tatuagem nas costas dentro da piscina.

No encontro entre um personagem Ator, o Maestro e o Menino, que é estudante de música, fica evidente que o garoto é canhoto. Neste momento, o homem que tem a tatuagem de Marx aproxima deles e diz que é canhoto também. O Ator e o Maestro entreolham-se, e o ator vira-se para “Marx” e diz: O mundo inteiro sabe que você é canhoto”.
São as entrelinhas do roteiro…

Parece que há uma preocupação em evidenciar “a presença” do socialista ali: Uma mulher massageia os pés do homem tatuado e pergunta a ele: “No que está pensando?” Resposta: “No futuro”.

Talvez haja uma pergunta no enredo: Que futuro?… Uma vez que não há futuro para Mick, o cineasta…
Enfim, o filme é um desdobramento de muitas ideias, cada uma mais instigante que outra.

Mas, percebo que há uma descrença, talvez mais na humanidade do que em um sistema político, conforme a frase do Maestro Ballinger: “Basta eliminar uma pessoa e o mundo todo muda” – quando emite uma opinião a respeito da monarquia.

Por outro lado, penso que o título remete a uma esperança que está na Juventude. Será?

Ana Muniz

Foto: Frame do filme.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=qmvCkI6v5ls

Juventude (original “Youth“),  Italy | France | UK | Switzerland, 2015, 124min. Drama/ Comédia. Roteiro e direção Paolo Sorrentino. Atuam: Michael Caine, Harvey Keitel, Alex Macqueen, Paul Dano, e outros.

6 comentários em “Filme YOUTH, de Paolo Sorrentino

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  1. Alguém escreveu um comentário sobre este filme na nossa página no Facebook e depois apagou, provavelmente por achar que não obteria resposta. Deixei lá e para ficar registrado deixo aqui também o que respondi quase 24 horas após:

    Alguém fez um comentário aqui, ontem, e não pude responder naquele momento, por razões técnicas. Comentou sobre minha postagem sobre o filme “Youth”. O comentário não está mais aqui… Eu não sei o nome de quem postou, não tive tempo de ver direito, mas quero agradecer, caso ele venha aqui. Vi que ele concordou com alguns pontos que assinalei sobre aquele filme e fez uma pergunta, que eu teria que ver exatamente qual é, parece que levantou uma questão a respeito do capitalismo ali tão evidente e a relação dos mais velhos com os jovens… Eu não poderia responder exatamente, pois não tenho aqui a pergunta, mas, vi também que a observação dele é importante, pois meu texto foi muito rápido e, claro, não abordei tudo. O capitalismo é o contraponto. Quanto às relações… Dá um capítulo inteiro. O filme é muito bom ao mostrar o velho no seu saudosismo e impotência em relação ao tempo. Ele não tem mais o vigor da juventude. Ao olhar e admirar ou desejar o novo, dá a entender que ele se procura ali e não há mais… Agora o tempo está relacionado com as suas funções fisiológicas, que é o que lhe resta de sensação…

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