Com Amor, Van Gogh

Deu para notar o quanto o público acolheu bem os clipes promocionais do filme Loving Vincent no decorrer dos meses anteriores. Vincent Van Gogh tem sua magia.

No Brasil, o filme foi exibido primeiramente na 41a Mostra de Cinema, em São Paulo. As pinceladas do holandês é um grande atrativo. Mas, há mais incentivo que convida a ir ao cinema: Os quadros pintados ganharam movimento, o filme está em Full Van Gogh, quero dizer com isso que tudo na tela é Van Gogh. Talvez seja o casamento perfeito de apreço às técnicas. E tecnologias.

Sabíamos que o mestre pós-impressionista adorava os planos abertos, as cores, as luzes, as pessoas, porém, não imaginei o que os roteiristas fariam com o conteúdo sobre o artista. Qual seria o destaque? Nada me passou pela cabeça.

A viagem dos autores foi tão inusitada que depois de assistir fiquei duplamente pós-impressionada. Viagem digo quando há um abuso da imaginação, no bom sentido, claro. Nem sei se existe o mau sentido quando se trata de dar asas aos pensamentos.

Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent, 2017) remete ao que chamamos de documentário de busca. Mas, é um filme ficcionalizado que faz um recorte especifico decorrente dos fatos. No mínimo causaria incômodo ao escritor Arthur Conan Doyle (1859-1930), cujo personagem Sherlock Holmes é contemporâneo do jovem Armand Roulin (Douglas Booth), ao ver o desempenho do investigador leigo. Este, pertinaz, que a mando do pai vai cumprir uma função, mesmo não sendo sua profissão.

O melhor de tudo: Eu acreditei no filme. Fiquei ansiosa. Esperançosa. Raivosa. Vislumbrada. Para mim, o cenário era real, os personagens reais e Van Gogh às vezes estava lá. Eu fui à pequena Auvers-Sur-Oise, um vilarejo muito próximo a Paris. Era 1891, um ano após a morte do pintor.

novoDesde o início do filme a música, que parece narrar uma história triste, nos embala, passa pela turbulência das nuvens – A Noite Estrelada (Le unit étoilée, 1889) – e a seguir desce à cidade de Arles. Depois de uma confusão adentra ao quadro O Café à Noite (“Le café de nuit”, 1888). Estas cenas iniciais nos mostram que o protagonista escolhido tem um quê de valentia.

Paris é a primeira cidade que o personagem visita. Indo pelas ruas dá para ler o nome de Galeria Père Tanguy. Dentro, deparamos com o quadro Retrato de Père Tanguy (Le Pere Tanguy, 1887). Assim é. Assim segue.

O filme ressalta a relevância do humano, no caso específico, através da manifestação artística. Os valores expressos pelo fazer demonstram que o gênio do sujeito se torna evidente em sua obra. No entanto, para ver é preciso olhar com os olhos de dentro. Do fundo da alma. Digo isso em referência às pessoas que fizeram pouco do pintor e que o viam superficialmente.

Ana Muniz

O que indico sobre Van Gogh, no cinema:

É possível encontrar na web outros filmes sobre Van Gogh. Destaco o documentário The Painting life of Vincent Van Gogh (Paul Molijn, 2008, 60 min), no endereço  https://youtu.be/T750HY_ZcZo. É narrado de forma tradicional, voz off, em inglês, mas é possível configurar legendas em português. Traz imagens do presente relacionadas com as do passado.

Sede de Viver (Lust for Life, Vincente Minnelli, 1956). Ficção. Faz uma abordagem mais ampla da biografia do holandês. O diretor é renomado e tem dois grandes nomes atuando: Kirk Douglas (Vincent Van Gogh) e Anthony Quinn (Paul Gauguin). Não sei se sempre, mas, no momento, pode ser visto no YouTube: https://youtu.be/yH0Lni-W3QU. Interessante observar os pontos de vista entre os diversos filmes sobre o mesmo assunto, assim, aparecem pequenos detalhes contraditórios, por exemplo, bala no estômago, bala no coração.

Nunca esqueci do longa-metragem Sonhos (Dreams, Akira Kurosawa, 1990). São vários curtas no longa. Entre eles um conto chamado Corvos, sobre Van Gogh, que tanto valorizou a natureza, que este filme enfatiza. É provável que tenha sido a primeira experiência em que um ator transita pelas pinceladas de Vincent. Pode ser visto aqui: https://vimeo.com/127929026.

Por último, convido para ler o conto UMA PIPA NO CÉU. Ler e ou ouvir o áudio do conto. Endereço direto: anamuniz.net

Então é isso.

Com Amor, Van Gogh (Loving Vincent). Biografia/Animação. 1h 34min. Reino Unido, Polônia. 2017. Diretores: Dorota Kobiela, Hugh Welchman. Roteiro: Dorota Kobiela, Hugh Welchman e Jack Dehnel. Atuam: Douglas Booth, Josh Burdett, Cezar Lukaszewicz, Robert Gulaczyk, La Moume entre outros.

2 comentários em “Com Amor, Van Gogh

Adicione o seu

Obrigada por comentar!

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑